“Madruguinha, agora não, depois.” Desde que o verão começou, é assim todos os dias na casa da moradora de Ilhabela, a bióloga Ariane Gouvêa. Ao perceber que a tutora está se preparando para sair, o cachorrinho já corre animado em direção à porta. Mas, se o sol ainda está forte, ele escuta a frase que virou um verdadeiro mantra da estação, sinal de que o calor lá fora ainda está alto demais para passear.
O verão de 2026 tem sido marcado por temperaturas elevadas e dias consecutivos de calor intenso. Nesta época do ano, o risco de hipertermia em animais é mais comum, o que exige atenção redobrada dos tutores. Em Ilhabela, a Secretaria de Saúde, por meio do Centro de Referência Animal de Ilhabela (CRA), orienta a população durante os dias mais quentes.
Segundo Luiza Rezende, veterinária do CRA, a hipertermia ocorre quando a temperatura corporal do animal sobe de forma excessiva, geralmente acima de 40 ºC, e ele não consegue dissipar o calor. “Os sinais incluem ofegação intensa e persistente, salivação excessiva, fraqueza, gengivas muito vermelhas, vômito, desorientação e até tremores ou convulsões”, explica.
A veterinária destaca que os animais não transpiram como os humanos e, por isso, têm mais dificuldade para regular a temperatura corporal. Em dias muito quentes, a exposição ao sol, a falta de hidratação ou exercícios em horários inadequados podem colocar a vida do pet em risco.
Entre as principais recomendações estão evitar passeios entre 10h e 16h, nunca deixar o animal dentro do carro, garantir sombra e água fresca e redobrar a atenção com animais idosos, obesos ou de focinho curto, que têm maior dificuldade para respirar em dias quentes. A veterinária também orienta um teste simples para verificar a temperatura do solo: “Coloque o dorso da sua mão no chão por cinco segundos. Se estiver quente ou desconfortável para você, está quente demais para as patas do animal.”
A hidratação também é fundamental. Na casa de Ariane, a água de Madruguinha é mantida sempre fresca e, para ajudar a conservar a temperatura, a tutora coloca um cubo de gelo no pote. De acordo com a veterinária, essa prática é correta e muito eficiente: “Manter a água fresca ajuda o animal a se hidratar melhor e reduz o risco de hipertermia”, explica.
Na residência da bióloga, os passeios acontecem apenas no fim de tarde, quando a temperatura está mais amena. Madruguinha já entende a diferença: se durante o dia ele escuta o conhecido “agora não, depois”, ao início do pôr do sol a frase muda e ele sabe que é a hora certa. “Madruguinha, vamos passear?” Entre cuidados e espera, o cãozinho já aprendeu o ritual da estação direitinho.