Escritora participou de encontro com leitores na Biblioteca Nilce Signorini e falou sobre literatura, lembranças, esquecimento e relações familiares
Ilhabela recebeu, na terça-feira (22), a escritora, professora e crítica literária Noemi Jaffe para um encontro do programa Viagem Literária, realizado na Biblioteca Pública Municipal Prefeita Nilce Signorini, na Barra Velha. A atividade reuniu leitores para uma conversa sobre literatura, trajetória, processo de escrita e os temas que atravessam a produção da autora, especialmente a memória, o passado e as relações familiares.
O encontro integrou a 18ª edição do Viagem Literária, iniciativa do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo (SisEB), que promove encontros entre escritores e leitores em bibliotecas públicas. Em Ilhabela, a Biblioteca Nilce Signorini participa da programação ao longo do ano, aproximando o público de diferentes autores e propostas literárias. Em 2026, a edição tem como tema “Mulheres da Literatura”.
Doutora em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP), Noemi Jaffe construiu uma obra marcada pela investigação da linguagem, da memória e das relações humanas. Entre seus livros estão “O que os cegos estão sonhando?”, “A verdadeira história do alfabeto”, “Írisz: as orquídeas”, “Não está mais aqui quem falou”, “O que ela sussurra”, “Lili: novela de um luto” e “Te dou minha palavra”.
As relações familiares ocupam um lugar importante nesse percurso. Em “O que os cegos estão sonhando?”, a autora parte do diário de sua mãe, Lili Jaffe, sobrevivente de Auschwitz, para abordar as marcas da guerra, a memória familiar e a experiência de uma filha diante de uma história que também passa a fazer parte de sua própria identidade. Já em “Lili: novela de um luto”, a escrita se volta para a morte da mãe e para a elaboração da ausência e das lembranças. Em “Não está mais aqui quem falou”, a memória aparece novamente como matéria literária, enquanto “Te dou minha palavra” retoma lembranças da infância e da adolescência e as relações com os pais.
Ao falar sobre essa relação entre lembrar e esquecer, Noemi explicou como a própria história familiar influenciou sua escolha pela escrita e como assumiu, desde cedo, o papel de guardiã das memórias de seus pais.
“Acho que é muito importante esquecer e é muito importante lembrar também, então eu acho um pouco, às vezes, que é por isso que eu me tornei escritora, porque eu precisava de alguma forma expressar essa divisão que existia dentro de mim. Eu me sinto muito responsável, já que eu sei contar, eu me sinto muito responsável por contar a história deles. E a minha mãe me dizia ‘eu posso esquecer o que quiser porque você vai lembrar’, então ela meio que delegou para mim esse papel de memória. Quase todos os livros que eu escrevi têm alguma coisa a ver com a lembrança, com o passado, com a história deles também”, comentou.
O encontro integrou a programação do Viagem Literária – Mulheres da Literatura e proporcionou ao público a oportunidade de conhecer mais de perto o processo de escrita, a trajetória e os temas que marcam a obra de Noemi Jaffe.