Um estudo internacional divulgado nesta semana pela revista científica britânica Royal Society Open Science reforçou a importância da foto-identificação para o monitoramento de baleias-jubarte e revelou deslocamentos inéditos entre Brasil e Austrália. A pesquisa, repercutida pelo The Guardian, utilizou registros compartilhados na plataforma Happywhale e contou com participação de pesquisadores brasileiros e cientistas-cidadãos, incluindo contribuições feitas em Ilhabela.
A técnica de foto-identificação, usada para monitorar indivíduos ao longo dos anos, foi uma das ferramentas centrais para o desenvolvimento do estudo e permitiu rastrear deslocamentos entre diferentes regiões do planeta.
Entre os casos apontados pela pesquisa está o maior deslocamento identificado até agora: uma baleia registrada em 2003, em Abrolhos, no sul da Bahia, foi avistada novamente em 2025 no litoral australiano, completando uma travessia de aproximadamente 15,1 mil quilômetros.
O estudo também identificou um caso com participação direta de Ilhabela. Uma baleia fotografada em Hervey Bay, na Austrália, em 2007, foi registrada novamente em julho de 2019 pelo navegador Julio Cardoso, de Ilhabela. O cruzamento das imagens confirmou um deslocamento de cerca de 14,2 mil quilômetros entre os oceanos Pacífico e Atlântico.
"Na foto-identificação, o mais importante é registrar a parte inferior da cauda quando a baleia mergulha. Cada jubarte possui marcas únicas. É como uma impressão digital. Uma foto feita no momento certo pode ser comparada em plataformas como a Happywhale e ajudar pesquisadores a identificar aquele indivíduo anos depois, em qualquer lugar do mundo. Foi exatamente isso que aconteceu nesse estudo", explica Julio Cardoso, da Associação Probaleia.
A Associação Probaleia é uma iniciativa voltada à ciência-cidadã que reúne profissionais especializados em registros fotográficos de cetáceos. O grupo atua no mar produzindo imagens para identificação e monitoramento dos animais, ampliando a colaboração com pesquisas científicas.
O tema ganha relevância em Ilhabela, onde o turismo de observação de cetáceos segue em crescimento. Em 2025, foram registrados 836 avistamentos de baleias-jubarte no Litoral Norte paulista. Em 2026, até 18 de maio, já haviam sido contabilizados 33 registros no município.
"Esse estudo reforça a importância de manter e ampliar o trabalho de foto-identificação realizado há anos em Ilhabela. Esses registros fotográficos da cauda geram resultados concretos para a ciência, e qualquer pessoa pode colaborar. O catálogo atual do projeto em Ilhabela soma 809 baleias identificadas. Destas, 120 já foram registradas em outros locais e várias retornaram ao município", destaca o secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Harry Finger.









